sábado, 18 de agosto de 2012
Estamos perdendo nossa intuição?
Nesses dias um urubu selvagem (existem domésticos?) machucou sua gigantesca asa e ficou impossibilitado de alçar vôo. Isso aconteceu numa indústria química, aqui em SP. Como a vida é interessante, não? Existem certos assuntos que nem cogitamos pensar, até que aconteçam... Mas o que fazer com um urubu gigantesco, caminhando pelo chão e sem conseguir voar? Os responsáveis (pela indústria, não pelo urubu) logo foram consultados e resolveram chamar a polícia florestal. Afinal o urubu é um animal de preservação, ou não? Enquanto a polícia não chegava pra resgatar o pássaro, os colaboradores da empresa o acondicionaram numa gaiola. É aí que essa história cruza com nosso assunto principal aqui no “A saúde está servida”: a alimentação.
O que é que todo mundo sabe sobre urubus? AH... pra essa resposta nem foi preciso consultar os dirigentes: Os funcionários salvaram alguns pedaços de carne do almoço e em pouco tempo a gaiola do Zeca (Agora o urubu anônimo já tinha nome) estava recheada de comida.
Mas o urubu não provou nem um pedacinho....: Ele não comeu porque os urubus não comem carne cozida. Urubus selvagens nunca aprenderam a comer carne cozida. Urubus normalmente alimentam-se de animais mortos e isso porque o estômago deles possui enzimas especiais pra digerir animais em estado de putrefação, enzimas essas que nós não temos.
E isso me fez filosofar: Há uma coisa que os urubus têm a mais do que nós, seres humanos ocidentais modernos. Eles possuem a intuição do que devem e do que não devem comer. Não ficam em dúvida.
E muitos de nós, humanos, estamos perdendo essa intuição, que está sendo substituída por informação e mais informação. Já nos acostumamos a acreditar nos rótulos para saber se aquilo, que nem parece comida, é comestível ou não. Então que mal há em comer alimentos tão distantes de sua forma natural, desde que se tenha a promessa de que possui vitaminas e ingredientes benéficos?
Eu acredito que se tivéssemos somente um quinto da intuição que faz com que o urubu não toque a carne cozida, nós ficaríamos a quilômetros de certos alimentos....
Vale a pena relembrar algumas das regras de alimentação de Michael Pollan, um dos mais inteligentes críticos culinários atuais:
“Não coma nada que a sua bisavó não reconheceria como comida” – ele acrescenta: “Quando você pegar uma embalagem de qualquer coisa no supermercado, ou comer alguma coisa com 15 ingredientes impronunciáveis, pergunte a você mesmo: O que essas coisas estão fazendo aqui?”
- “Não coma nada com mais de 5 ingredientes, ou ingredientes que você não possa pronunciar facilmente”
Obs.:
Zeca, o urubu selvagem, ficou em jejum durante quase 12 horas (pois nenhum colaborador da empresa encontrou um animal morto pra alimentá-lo) até ser resgatado pela polícia florestal. Os policiais chegaram até a indústria bastante mal humorados por terem sido acionados para a coleta do animal e resolveram aplicar uma fiscalização surpresa. Nenhuma irregularidade foi encontrada e nenhuma multa aplicada, para decepção dos policiais.
Infelizmente, e compreensivelmente, os dirigentes afirmam que caso recebam a visita de um novo urubu, o convidarão a retirar-se de sua propriedade, sem a presença das autoridades.
Dizem tratar-se da massa dos Nuggets de frango de uma famosa rede de fast food....
uhm.... escolho a melancia.
Ah... esse é só um bolo confeitado em forma de serpente.... apetitoso não?
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hahaha!!! depois dessa história vou tomar muito mais cuidado com o que como!! e mais cuidado ainda com o que pousa no nosso quintal!!hahaha!! muito boa crônica!! Parabéns, Paulo
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