sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A plantação envenenada


Nessa semana estive, como acompanhante, num hospital de Rede Pública. O tal Hospital do SUS fica no Interior do estado de SP, há menos de meia hora da divisa com o MS. O caminho até lá denuncia a toda hora a vocação da região: a agricultura. Por todos os lados tive a chance de admirar aquelas plantações sem fim de Cana de açúcar, milho, soja, laranjas e tantas outras que não consegui saber o que eram porque me falta vivência interiorana.

E foi ali dentro de um dos quartos da enfermaria que tive esse papo com a Luisa, uma senhora da cidade que acompanhava o paciente, seu pai de 89 anos, que havia quebrado a perna numa queda:

-Ah ... o pai tem uma saúde de ferro! Nunca teve que ficar no hospital não... – Ela me contou enquanto finalizava seu tapete de crochê.


-É mesmo? E por que vc acha que ele tem essa saúde toda? – eu aproveitei pra pesquisar

- Moça, o pai cresceu comendo tudo que era do sítio. Cresceu derrubando mato. Hoje eu fico “oiando” as “prantação” na frente do nosso sítio... É “prantação” da Usina, moça. Lá tem muita cana. Pra “prepará” a terra, jogam veneno e misturam tudo nela. Colocam a semente por cima. Na hora que cresce um mudinha assim ó - uns 5 cm, pelo que medi no espaço entre os dedos dela - eles mandam aquele “tratorzão”, sabe? Aquele que tem “umas” asa que soltam veneno, já viu moça?
E óia que só não passa avião porque proibiram a usina de arrancar as árvores e aí lá não cabe avião. Mas aqui por perto tem muito avião que joga o veneno lá de cima! Você precisa ver. Parece até que tá chovendo!
Quando eles passam o veneno nas “mudinha", tem até placa dizendo pra gente não passar por lá.... E eu penso: Se não pode nem pisar....então como é que pode comer aquele veneno? Pode não! Por isso é que esse hospital tá lotado de gente nova, tudo doente...
- concluiu a dona Luisa.

Na temporada que morei nos USA, convivi com especialistas sobre o assunto e aprendi sobre os efeitos maléficos dos resíduos de pesticidas nos alimentos. Tenho lido muitas pesquisas científicas mostrando as vantagens do consumo de orgânicos. Escutar aquela senhora, falando despretensiosamente enquanto fazia seu crochê, me deixou feliz por constatar que a sabedoria popular realmente entende a verdade das coisas e apóia aquilo que a ciência está constatando.

sábado, 18 de agosto de 2012

Estamos perdendo nossa intuição?



Nesses dias um urubu selvagem (existem domésticos?) machucou sua gigantesca asa e ficou impossibilitado de alçar vôo. Isso aconteceu numa indústria química, aqui em SP. Como a vida é interessante, não? Existem certos assuntos que nem cogitamos pensar, até que aconteçam... Mas o que fazer com um urubu gigantesco, caminhando pelo chão e sem conseguir voar? Os responsáveis (pela indústria, não pelo urubu) logo foram consultados e resolveram chamar a polícia florestal. Afinal o urubu é um animal de preservação, ou não? Enquanto a polícia não chegava pra resgatar o pássaro, os colaboradores da empresa o acondicionaram numa gaiola. É aí que essa história cruza com nosso assunto principal aqui no “A saúde está servida”: a alimentação.

O que é que todo mundo sabe sobre urubus? AH... pra essa resposta nem foi preciso consultar os dirigentes: Os funcionários salvaram alguns pedaços de carne do almoço e em pouco tempo a gaiola do Zeca (Agora o urubu anônimo já tinha nome) estava recheada de comida.

Mas o urubu não provou nem um pedacinho....: Ele não comeu porque os urubus não comem carne cozida. Urubus selvagens nunca aprenderam a comer carne cozida. Urubus normalmente alimentam-se de animais mortos e isso porque o estômago deles possui enzimas especiais pra digerir animais em estado de putrefação, enzimas essas que nós não temos.

E isso me fez filosofar: Há uma coisa que os urubus têm a mais do que nós, seres humanos ocidentais modernos. Eles possuem a intuição do que devem e do que não devem comer. Não ficam em dúvida.

E muitos de nós, humanos, estamos perdendo essa intuição, que está sendo substituída por informação e mais informação. Já nos acostumamos a acreditar nos rótulos para saber se aquilo, que nem parece comida, é comestível ou não. Então que mal há em comer alimentos tão distantes de sua forma natural, desde que se tenha a promessa de que possui vitaminas e ingredientes benéficos?

Eu acredito que se tivéssemos somente um quinto da intuição que faz com que o urubu não toque a carne cozida, nós ficaríamos a quilômetros de certos alimentos....

Vale a pena relembrar algumas das regras de alimentação de Michael Pollan, um dos mais inteligentes críticos culinários atuais:

“Não coma nada que a sua bisavó não reconheceria como comida” – ele acrescenta: “Quando você pegar uma embalagem de qualquer coisa no supermercado, ou comer alguma coisa com 15 ingredientes impronunciáveis, pergunte a você mesmo: O que essas coisas estão fazendo aqui?”

- “Não coma nada com mais de 5 ingredientes, ou ingredientes que você não possa pronunciar facilmente”


Obs.:

Zeca, o urubu selvagem, ficou em jejum durante quase 12 horas (pois nenhum colaborador da empresa encontrou um animal morto pra alimentá-lo) até ser resgatado pela polícia florestal. Os policiais chegaram até a indústria bastante mal humorados por terem sido acionados para a coleta do animal e resolveram aplicar uma fiscalização surpresa. Nenhuma irregularidade foi encontrada e nenhuma multa aplicada, para decepção dos policiais.
Infelizmente, e compreensivelmente, os dirigentes afirmam que caso recebam a visita de um novo urubu, o convidarão a retirar-se de sua propriedade, sem a presença das autoridades.


Dizem tratar-se da massa dos Nuggets de frango de uma famosa rede de fast food....


uhm.... escolho a melancia.

Ah... esse é só um bolo confeitado em forma de serpente.... apetitoso não?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Au revoir, aspargos queridos



O friozinho indo embora... e o que vai deixar saudades mesmo são os aspargos, que eu tenho achado frescos até nas feirinhas do bairro...

E como se já não bastasse serem uma delícia, ainda não precisam de muitos pesticidas pra crescerem e muitos produtores tratam essa agricultura quase orgânica, sem a necessidade de uso dos defensivos (Bom, no mínimo, usam menos).

Mas essas plantações precisam de friozinho pra crescerem. E não há como evitar: Eles sumirão em breve.

Mas eu não posso dizer que não aproveitei! Todas as semanas invento algum prato com ele ou ataco os torreões (é assim que são chamados os talos do aspargo) da forma que mais gosto:

No vapor com um pouquinho de sal!

E você que ainda não aproveitou, procure pelo seu maço de aspargos na feira do seu bairro dessa semana. Acredito que até meados de Setembro ele estará por lá, escondido na banca de algum feirante.... Digo escondido porque é sempre assim que os encontro... Como os amantes dos aspargos estão aumentando a cada dia, e a oferta não é tão farta assim, os feirantes guardam os talinhos para alguns clientes fiéis.... então tem que perguntar!

Ah! Se você ainda não se convenceu, seguem alguns outros bons motivos:

Ácido fólico:
O aspargo é uma das melhores fontes desse regenerador celular. Uma xícara de aspargo nos fornece 66% de nossas necessidades diárias. Com sua alta concentração de ácido fólico, ainda ajuda a prevenir doenças do coração, defeitos fetais (Grávidas, consumam!), e ainda é um alimento anti-câncer dos melhores!

Anti-oxidantes e Glutationa:
O aspargo é conhecido como o chefe dos anti-oxidantes por causa da sua alta concentração de glutationa e vitaminas C e A


Amigo da Dieta:
Aspargo é ainda um excelente diurético. Uma xícara possui só 43 calorias e grande quantidade de fibras, o que nos ajuda saciar, sem engordar.

Adeus Aspargo, vou me despedindo... e espero encontrá-lo ainda mais lindo e verde no próximo inverno.




Prontos pra serem feitos no vapor, onde ficam crocantes e mantêm sua linda cor verde!


Preparados com cogumelos eles podem fazer um belo risoto!



E podem ir pro forno como cobertura de um filé de abadejo.

E ainda existem outras versões:

Neste caso, sou verdão!


Esse roxo ainda não encontrei.. mas um dia experimento!






quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Escondam seus queijos!!!


Ei amantes de queijos:
Escondam seus gorgonzolas, seus bries, seus gruyere e seus parmesões!

Deu no New York Times:
A indústria de laticínios americana está pesquisando uma maneira de baixar a gordura e o sal dos queijos!

E se essa onda que começou lá no tio Sam virar pra cá (Aliás, sempre vira), nossos queijos saborosos estão ameaçados a se converterem em borrachas light aromatizadas!

Isso tudo está acontecendo por causa da pressão do governo (e do Ministério da saúde) que está desesperadamente tentando baixar o índice de obesidade da população, que é mórbido de tão alto! (Nós aqui no país do carnaval estamos nesse caminho também...)

Mas a dificuldade é que queijo se resume a gordura + sal! Qualquer tentativa de retirada de um ou outro leva sempre ao mesmo ponto: uma massa grudenta e densa, invariavelmente sem gosto!

O sal no queijo serve como um preservativo, que vai protegê-lo do crescimento de organismos indesejados enquanto ele envelhece e desenvolve seu sabor... E a gordura afeta a sua umidade, e sua textura.

É... aparentemente queijo não será mais queijo sem sal e gordura. E pior: removendo os ingredientes vilões, será necessário adicionar outros no lugar. E esses vão alterar o sabor, a textura e, muito provavelmente, nossa digestão.

Mas, como bem lembrou um leitor no final do artigo, há uma fórmula antiga e super eficiente pra resolver o problema do excesso de gordura e sal dos americanos:

COMER MENOS QUEIJO!!

Se os americanos (e nós) comerem metade do queijo que comem hoje, já será uma redução de 50% na gordura e no sal!

Queijos devem ser apreciados, como iguarias que são... Já que quando comemos queijo, estamos ingerindo gordura saturada e sal, então vamos consumir menos! E que sejam queijos da melhor qualidade e com os melhores ingredientes!

Ainda me lembro na infância que meu avô, que era assumidamente viciado em queijo, ia de trem ao Brás comprar seus provolones e parmesões. E por que ele se abalava do ABC ao centro de SP em busca deles? Provavelmente porque já sabia uma coisa que estou vivendo e comprovando todos os dias:

Quanto melhor a qualidade dos alimentos que consumo, mais saciada fico e menos preciso comer.

E meu avô sabia apreciar queijos, ah... como sabia! Ele não teve no decorrer dos seus 89 anos, dos quais muitos consumindo os queijos do Brás, nenhuma doença originada na gordura e no sal.

Hoje quando caminho no Centro de SP a procura dos meus ingredientes, eu entendo meu avô como nunca entendi.

Entendo e agradeço. Ele já estava me ensinando a cozinhar, mesmo sem saber!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

As laranjas do Brasil



Hoje uma matéria no Estadão dizia que existem hoje 80 milhões de caixas de laranjas apodrecendo no interior Paulista. A concorrência com os sucos prontos, envasados, está deixando as redondinhas saborosas pra trás... Pudera! As donas de casa, no Brasil e no mundo, não optam mais em fazer um belo suco espremido já que as prateleiras estão superlotadas com as caixinhas das mais diversas opções, muito mais chamativas e apelativas, inclusive para as crianças... Bom, não vou me alongar aqui nos benefícios de um suco espremido na hora comparado a um de caixinha... pois vocês já devem imaginar minha opinião!

Mas o que mais me chamou a atenção foi saber que grande parte da produção paulista de laranjas se destina a exportação e, principalmente, para os EUA. Isso ERA verdade até o final do ano passado quando os americanos vetaram a compra das nossas laranjas porque encontraram resíduos de carbendazim, um fungicida banido por lá desde 2009. Esse agrotóxico é largamente usado nos pomares brasileiros porque controla as pragas cítricas que, quando atacam os campos, podem causar grandes prejuízos ao produtor.

Bem, alguns argumentam que essa pouca quantidade de agrotóxico está em níveis seguros.... que não causa danos aos seres humanos... etc etc...

Há estudiosos cobertos de razões por todos os lados.

Mas eu prefiro o meu suco de laranja sem carbenzadim, por favor! E viva os orgânicos!

domingo, 5 de agosto de 2012

Semente de abóbora + pimenta Caiena




Nesse último FDS teve muito sol. Inverno com cara de verão só aqui no país maravilhoso mesmo! Mas o petisco pra acompanhar a cerveja pode ser saudável e gostoso? Esse ficou uma delícia!

Semente de abóbora assada com gengibre, sal e muuuita pimenta caiena...

Um estudo de Oxford constatou que essa pimentinha vermelha alaranjada (é a cor da saúde!) pode aumentar em 20% o metabolismo, assim como retirar gordura das artérias... Ajuda na digestão também. Ela é considerada a pimenta mais medicinal. Isso não é o máximo?

Sem falar na maravilha de propriedades que têm as sementes de abóbora! Usada pela medicina chinesa, ela é suposta de combater os parasitas intestinais, e estudos recentes mostram efeito dela na proteção da próstata e sistema urinário!

A receitinha ficou uma delícia e ainda vou melhorá-la pro próximo verão!

Esse é o meu barato: comer cuidando! Mas sem perder o sabor!!
Um beijo e boa semana a todos!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Produção artesanal

E quando eu falo em alimento preparado com ingrediente de alta qualidade, com açúcares naturais e farinhas integrais... é mais ou menos assim que é pra imaginar:


Nesses pãezinhos:
Farinha integral
azeite
mel
sal marinho
fermento biológico
chia
e só!

Não CONTEM: conservantes, umectantes, corantes, aromatizantes
E ainda assim... são deliciosos!

Um beijo a todos!

Dietas contraditórias

É impressionante a quantidade de informações contraditórias quando o assunto é alimentação saudável!

Já teve gente importante dizendo que o negócio era comer só carne, que o ovo era o capeta arredondado... Que toda a culpa é do colesterol! E mais recentemente: É só comer óleo de coco que todos os seus problemas acabaram! E jogue umas sementinhas de chia aí em cima, que aí sim nenhum mal te alcançará!

Essas são as dietas milagrosas, sempre estampadas nas capas das revistas. A impressão que dá é que estes alimentos podem te salvar de qualquer mal: da obesidade ao câncer, do mal – humor até a preguiça.

Sempre seguindo esses anúncios, vêm a turma do “contra” (também composta de “Pessoas muito importantes”) . E aí normalmente enumeram uma série de males causados por aqueles alimentos que acabaram de ser endeusados. E geralmente as reportagens são tão sensacionalistas quanto as primeiras. É praticamente um “programa do Datena dos alimentos”.

E o que fica dessa estória toda? Ficamos nós sem saber o que comer.

É por isso que eu gosto da ciência. Mas as pesquisas não vendem revistas, não dão ibope... demoram muito tempo a ser concluídas e geralmente não trazem verdades absolutas. Mas são o único meio de irmos descobrindo informações em que podemos confiar, mesmo que não sejam as que queremos ouvir.

Como diriam os antigos: Nem tanto ao céu, nem tanto a terra! Moderação é tudo, inclusive nas opiniões e certezas.

Em um artigo que li nessa semana sobre contrariedades em dietas alimentares, a conclusão foi essa:

“ Em qualquer situação, a melhor maneira de começar a melhorar a dieta (com o intuito de prevenir obesidade e doenças) é abrir mão dos alimentos processados, açúcares refinados e farinhas refinadas”


Enfim, esse parece ser um consenso, inclusive entre os cientistas.

Qualquer coisa que façamos nesse sentido, mesmo que só um pouquinho, vai melhorar a saúde. E, cá entre nós, os alimentos preparados com ingredientes de alta qualidade, com açúcares naturais e farinhas integrais... são muito mais saborosos!